Se critico sempre que me apetece, também acho que devo felicitar quando é merecido. É de iniciativas destas que Portugal precisa. Temos tudo para estar a par e até ser melhor que os outros. A qualidade sempre foi um imperativo em Portugal e continuará a ser se permitirem que o tecido empresarial se mantenha vivo. O Governo precisa de lembrar-se cada vez mais do que "é nosso" e os portugueses precisam continuar a acreditar naquilo que "é nosso". É de mensagens de esperança que Portugal precisa. Há dias estava no supermercado e na indecisão optei por pagar um bocadinho mais por um sal de produtores da Ria Formosa, do Algarve, minha terra natal, que bem precisa de ajuda, o arroz que tenho cá em casa é português e é mais barato do que outras marcas que existem no mercado. Conclusão: "Compre o que é nosso" e "Portugal sou eu", são garantias de qualidade e, acima de tudo, é solidariedade para com todos aqueles que continuam a trabalhar todos dias para ajudar Portugal.
14/12/2012
Sara Lamy
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Esclavagismo
O que vivemos hoje é um estado de esclavagismo social. Exploram-se as potencialidades e a capacidade dos indivíduos até à exaustão, maximiza-se a sua produtividade até ao limite, e tirando-lhes o pão ou aquilo que comer, sabe-se à partida que alguém com fome trabalhará muito mais para ter um pedaço de pão do que aquele que trabalha de barriga cheia. E que se desengane quem acha que tudo isto é obra do acaso. Isto é pura teoria económica aplicada à sociedade. Afinal há pessoas geniais que estão por reconhecer (ironia). Tirando a Angela Merkel que agora vai ser reconhecida com um prémio Nobel da Paz pelo seu meritório contributo para a construção do projecto europeu (mais uma vez, ironia!). Bom afinal não temos que nos preocupar porque no Orçamento de Estado para o próximo ano está previsto um número exaustivo de medidas de Crescimento como explicava ontem o ministro da Economia, apoios sociais para quem tem fome, subsídios para quem não tem que comer... Ou seja, não se pense que o senhor não percebe nada de Economia, trata-se sim de uma rebuscada e até inovadora teoria económica, que o prezado senhor ministro estudou no Canadá, onde se encontrava antes de ter decido vir salvar a sua pátria. Quanto ao ministro das Finanças, tal como o senhor esclareceu, apenas está a retribuir o investimento que o Estado português fez na sua formação ao longo de anos. Portanto, caros amigos, não se alarmem porque estão nas mãos de pessoas de confiança com as melhores intenções. Salvar a pátria!
domingo, 9 de setembro de 2012
Mentiras
Reflexão do dia:
O amor só existe para três tipos de pessoas: os românticos, os escritores e os parvos. Logo, o amor é feito de minorias. E a maioria das vezes é uma mentira. Quem já não foi parvo, que atire a primeira pedra. Eu já.
Sara Lamy 9/9/2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Reflexão
Reflexão do dia:
A injúria e a ofensa são sim a forma mais bárbara de se viver em sociedade. Em sociedade vive-se com a diferença e acima de tudo aprende-se a respeitar a diferença. É o saber respeitar a diferença que faz de nós homens e mulheres civilizados. E é exactamente da falta de respeito e compreensão que nasce o ódio e a guerra, e isso sim é a maior barbárie e atentado a qualquer forma de humanismo. Saibam viver em sociedade e amem o próximo tal como ele é, esse sim é o maior espólio de uma nação evoluída.
Sara Lamy (23/8/2012)
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Deus
Entre nós
há um imenso campo de batalha.
Devastado,
destruído.
E tudo o que se parte
não volta a ser igual.
E tudo o que é colado,
é fragmentado
e não é uno.
E tudo o que foi
não tem retorno.
E o que Deus quis
os homens não compreendem.
E os homens pouco sabem de amor.
Eu compreendi.
E ontem fui feliz.
Hoje sou triste.
E amanhã não sei o que serei.
Sara Lamy (22/8/2012)
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Pedralva
Há muito tempo que cá não vinha, mas quem escreve sabe e compreende. O que nos inspira são pessoas, são lugares. Posso não escrever durante dias, meses. Mas existir algo de novo, por acaso, que nos leve a sentir que as palavras fluem sem parar. Pedralva é assim, não pude deixar de sentir como tudo fluía sem parar. Quero lá voltar. Mas para já são estas as palavras que ficam.
Pedralva
Noutro tempo
e noutro existir
poderia imaginar-te assim
sorridente
bela
quase desenhada a aguarela
entre os montes
que cortam a brisa que sopra do mar.
É como se o tempo
não tivesse passado por ti,
nem a civilização,
e eu encontrei-te
com casas caiadas de branco
com barras coloridas,
e és tão deslumbrante na tua simplicidade,
na simpatia da tua gente genuína,
no sorriso do rapaz moreno de bigode,
que não poderia imaginar-te mais perfeita,
sonho ideal pintado a cal.
E quando parti,
sinto que fiquei.
Sara Lamy 29/7/2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Cimeira Europeia
Hoje deixo apenas uma pequena reflexão:
Na Cimeira Europeia procura-se hoje uma harmonização de soluções para realidades com diferentes pesos e medidas. Acredito cada vez mais que o que se procura é agravar a dependência dos países europeus face à UE. O Mutualismo é uma contradição face a qualquer filosofia que tenha estado na base da União. E hoje é mutuada a soberania dos Estados. Com dependência coagida compram-se guerras e não amizades. Decorridos tantos anos, nota-se afinal que o Imperialismo nunca acabou, foi apenas encapotado, um sonho que finalmente hoje está a um passo de se concretizar.
Sara Filipa Lamy Marcos
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Entre o que sou e o que me acho
E ao contrário do que dizem
nós não somos aquilo que escolhemos
mas aquilo que nos tornam.
Somos um esboço perfeito
das pessoas que passam por nós.
Reprodução inacabada
daqueles que nos abandonam.
E apenas sombra
daqueles que nos escolhem.
Nós somos a transparência
mais de frustrações
do que de coisas felizes.
E entre isto e aquilo
encontro-me eu
entre o que sou e o que me acho.
Sara Lamy (1/6/2012)
nós não somos aquilo que escolhemos
mas aquilo que nos tornam.
Somos um esboço perfeito
das pessoas que passam por nós.
Reprodução inacabada
daqueles que nos abandonam.
E apenas sombra
daqueles que nos escolhem.
Nós somos a transparência
mais de frustrações
do que de coisas felizes.
E entre isto e aquilo
encontro-me eu
entre o que sou e o que me acho.
Sara Lamy (1/6/2012)
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Lugar
Lisboa,
às vezes pareces-me grande,
grande de mais.
E falta-te a gente,
e falta-te o espaço
em que eu me reconheça
ao olhar-te.
E, às vezes, tudo me falta.
Pouco sei onde pertenço,
quem me pertence
e a quem me devo dar.
E é aí, Lisboa,
que te olho na solidão
e vejo que nem tu, nem eu,
saímos do mesmo lugar.
Sara Lamy 29/5/2012
às vezes pareces-me grande,
grande de mais.
E falta-te a gente,
e falta-te o espaço
em que eu me reconheça
ao olhar-te.
E, às vezes, tudo me falta.
Pouco sei onde pertenço,
quem me pertence
e a quem me devo dar.
E é aí, Lisboa,
que te olho na solidão
e vejo que nem tu, nem eu,
saímos do mesmo lugar.
Sara Lamy 29/5/2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Divagando
Caminhava eu distraidamente e feliz, após um dia de trabalho, e ao descer despreocupadamente a Fontes Pereira de Melo, dou comigo de olhos pregados na entrada do Público a pensar: "Como gostava de ser escritora, escrever tudo o que penso, sem pensar no que escrevo". Mas depois parei. E pensei.
Já escrevi para jornais, mas entre tantas regras, parâmetros, limites levados ao exagero em frases pré-defidas e caracteres contados, chego a achar um desprazer o facto de ter que escrever. Depois o pensamento fugiu-me para outro pensamento. Será que sou assim mesmo caracteristicamente desregrada, livre, sem amarras, e lembrei-me de uma amiga minha que me acusa constantemente da minha tendencial incapacidade para cumprir seja que regras for. E, por momentos, apavorei-me a pensar que eu que sempre me afirmei como uma conservadora inata, afinal, por vezes, mais parecia ter atitudes do típico inconformismo deliberado dos liberalistas. Não demorou muito para o pensamento saltar para outro, quem sabe talvez seja esta minha tendência de fazer de "advogada do Diabo", pele em que naturalmente me sinto bem, tão só porque insisto em apimentar um pouco mais esta minha forma de espontaneamente ser do "contra".
E acabei por pensar, sem me preocupar, que afinal não passo de uma escritora.
E acabei por pensar, sem me preocupar, que afinal não passo de uma escritora.
Sara Lamy (21/4/2012)
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Fraternidade
Quem sabe talvez
se não é
esta simples condição de ser português
que nos oferece
este sentimento inato de partir
de descobrir
o outrora descoberto
e de sentir
que todo o oceano é pouco
para nos impedir
de trilhar esta viagem
que apenas começa além fronteiras.
Quem sabe
se não é
esta fraternidade
gerada noutras terras
e noutras raças
que nos faz ir
sem olhar para trás
sentindo que afinal
nunca saímos do nosso lugar.
E no fim
é sem relutância que acredito
que é
num sentimento comum
que os lugares se fazem comuns.
Sara Lamy 3/4/2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Pátria Minha
Pátria Entristecida
já não te reconheço
nos dias felizes
em que gente desalentada
se vai arrastando
sem saber sequer o que quer.
Pátria Querida
no tanto que prometeste
pouco tens para dar.
E hoje
pertenço a uma geração
que se desenrasca
e, por vezes,
se encosta,
e, às vezes,
até gosta
de se entreter
com o nada que tem pra fazer.
Pátria Dormente
de juventude despatriada
uns com tanto
e outros sem nada.
E o que me choca
não é o nada ter.
Mas a pobreza consentida
de uma nação empobrecida
que se deixou adormecer.
Adeus Pátria
até um dia
já não sou tua
nem tu és minha.
Sara Lamy
1/4/2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Partida
Antecipo a tua chegada
como quem antecipa o que não quer ouvir.
Ficamos no ponto sem regresso
em que nada foi dito
pouco foi feito
e ambos sabemos
que lacunas por preencher
não são respostas definitivas.
E pouco sei como encontrar satisfação
em rasgos de felicidade
sempre por concluir.
E hoje acordei a pensar
como já fui feliz
quando trcávamos olhares sem querer
na falsa inocência
de quem finge não entender
que perdíamos tempo
no muito tempo que enganávamos.
E hoje não nos resta tempo
pra terminar as frases
que ficaram por dizer.
Porque afinal há manhãs de inverno
mesmo em dias de primavera.
Sara Lamy
27/3/2012
como quem antecipa o que não quer ouvir.
Ficamos no ponto sem regresso
em que nada foi dito
pouco foi feito
e ambos sabemos
que lacunas por preencher
não são respostas definitivas.
E pouco sei como encontrar satisfação
em rasgos de felicidade
sempre por concluir.
E hoje acordei a pensar
como já fui feliz
quando trcávamos olhares sem querer
na falsa inocência
de quem finge não entender
que perdíamos tempo
no muito tempo que enganávamos.
E hoje não nos resta tempo
pra terminar as frases
que ficaram por dizer.
Porque afinal há manhãs de inverno
mesmo em dias de primavera.
Sara Lamy
27/3/2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Espaço
O teu espaço é pouco para mim
e em mim sobra todo o espaço
que guardo para ti.
E todas as palavras são de mais
quando pouco resta que dizer,
quando não sabes ouvir,
e quando só te quero adormecer
no barulho todo que existe
entre ti e mim
que só se cala
depois da porta fechada do quarto
onde todas as palavras seriam poucas
para explicar
as nossas mãos entrelaçadas
no espaço que dizes não ter.
Sara Lamy
14/3/2012
e em mim sobra todo o espaço
que guardo para ti.
E todas as palavras são de mais
quando pouco resta que dizer,
quando não sabes ouvir,
e quando só te quero adormecer
no barulho todo que existe
entre ti e mim
que só se cala
depois da porta fechada do quarto
onde todas as palavras seriam poucas
para explicar
as nossas mãos entrelaçadas
no espaço que dizes não ter.
Sara Lamy
14/3/2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Inconformismo
Já fui simpatizante partidária, e até ferverosa apoiante, e quem me conhece bem sabe que a política me corria nas veias, e sempre defendi incansavelmente aquilo em que acredito, mas não vendo a "alma ao Diabo". Sinto-me altamente inconformada. Incomoda-me seriamente o Primeiro-Ministro deste país ter a displicência ou o mau grado de acusar os portugueses de pieguice. Começo a duvidar que tipo de patologia está a contagiar a classe política dirigente deste país, mas posso para já diagonosticar uma tendencial demência, porque existe claramente uma incapacidade ou distúrbio quanto à apreensão da realidade. E como dizia ontem a prof. Maria da Glória Garcia, em momentos de crise a única forma dos políticos vingarem é através da retórica. Mas, sem dúvida, essa é uma qualidade que não lhes assiste. Até porque o único senhor que ainda tem alguma é Ministro dos Negócios Estrangeiros, e o senhor que achava que a tinha está em França a tirar um curso. Nem só de retórica vive um país, mas a política sem retórica é um vazio de entusiasmo, por isso posso qualificar-me actualmente como apartidária, porque nem sequer é possível ter o prazer de não o ser.
Sara Lamy 9/2/2012
Sara Lamy 9/2/2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Direitos de Saque
Ontem falava com um colega meu da minha antiga e saudosa academia, a FDL, e dizia ele: "Em Setembro, faço as malas e vou para Macau. Achas que fico cá para ganhar 700 euros por mês?"
Macau, para quem não sabe, é uma região administrativa especial em que o seu financiamento é essencialmente produto dos impostos sobre o jogo, dado o elevado número de casinos que operam no seu território. Os impostos sobre o rendimento são vantajosos. E no final do ano, o Estado ainda arranja dinheiro para dar um "prémio" per capita, que apesar de não ser "chorudo", muitos "chorariam" por recebê-lo por cá. Em 2012, esse prémio corresponderá a uma quantia aproximada de 800 euros por pessoa. Parece ser uma quantia razoável para gozar umas férias confortáveis num qualquer país vizinho, como a Tailândia ou a Malásia.
Então e alguém sabe como se chamam os prémios per capita atribuídos em Portugal no final do ano? Direitos de saque, são prémios remuneratórios atribuídos pelos cidadãos a favor do Estado. Para mais informações, contacte o Ministério das Finanças onde poderão esclarecê-lo acerca das diversas modalidades de pagamento à sua disposição.
Sara Lamy 1/2/2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Casamento Franco-Alemão
Bastante na linha de um filme bem conhecido, está precisamente a ser realizado um novo filme intitulado "Duas Europas e um Casamento", e os protagonistas, figuras bastante conhecidas, Nicholas Sarkozy e Angela Merkel. Esta é uma verdadeira história de amor incondicional e que transpõe fronteiras, de levar o povo europeu às lágrimas. Ela já não se contém de tanto contentamento e anuncia que vai apoiá-lo incondicionalmente, ainda antes de ele se ter candidatado às Presidenciais. Ele sorri com o afecto incondicional da Segunda "Dama de Ferro". E assim vai sendo embalada a Europa, de olhos postos neste casamento em que os seus protagonistas estão de tal modo entusiasmados, que parecem ter esquecido que existe uma Europa lá fora, para além do seu "nó" que é plantado e regado com maior fervor a cada dia que passa.
Sara Lamy 29/1/2012
Sara Lamy 29/1/2012
Maria Antonieta
"Se o Povo não tem pão que coma brioches", este seria um bom slogan para colocar num cartaz de campanha por baixo da fotografia de caras bem conhecidas do nosso Governo Constitucional. Isto porque, a tecnocracia é boa enquanto não se converte em insensibilidade social e num pragmatismo cego elevado ao seu expoente máximo. Isto porque a austeridade é boa enquanto não se converte em miséria e num plano pensado a longo prazo. Porque afinal ainda não se percebeu que se "dinheiro gera dinheiro", então "crise gera crise". Estamos a entrar num estado de convulsão crónica e já todos se aperceberam, menos quem tem o poder de mudar essa tendência, o que é altamente perigoso. Pelos vistos, os manuais de História foram pouco úteis. E este poderia até ser um conto, algo burlesco, que começaria da seguinte forma: "Era uma vez, um país de pobrezinhos chamado Portugal, governado por um Sr. Primeiro-Ministro dos Impostos, por um Presidente da República com uma reforma humilde, e nesta bela história, que não terá certamente um final feliz, só falta a Maria Antonieta...", mas há já quem mande o Povo comer brioches. Resta esperar que sendo a história igual, não seja o destino semelhante. Mas não falta já certamente quem tenha vontade de mandar a "Maria Antonieta" de novo para a "guilhotina" e acabar com a (des)governança de "Luís XVI".
Sara Lamy 28/1/2011
Sara Lamy 28/1/2011
domingo, 22 de janeiro de 2012
A minha casa
Casas perfeitas
são casas desabitadas.
Eu gosto da desarrumação
típica de uma casa com vida
e a cada objecto que olhamos
fora do seu sítio
ou só no seu lugar habitual
quase podemos adivinhar
a vida de quem lá vive,
com os seus gostos e vícios
e os segredos
desarrumados
debaixo da colcha da cama
esperando imóveis
por quem os descubra.
E quem chega à minha casa
se olhar atentamente
sentirá decerto
o cheiro a café da manhã
com um misto a baunilha
da vela que arde na sala,
poesias dispersas
escritas por um pseudónimo
inventado por mim
numa mesa baixinha,
fotografias empoeiradas
que lembram boas amizades,
tons claros e pastel
entre peças arrojadas,
um chocolate aberto na mesa de jantar
ou não fosse vício meu,
as porcelanas, faianças e bordados
tecidos pelas mãos da família
em sedas e linhos egipcíos
fechados em baús antigos
e agora arejados
pelo fascínio da nova geração
que preserva a herança
bordada com carinho
pelas mães e avós
numa história
que hoje me enche a casa.
E se ainda acham que uma casa
pouco diz,
a minha decerto
conta tudo o que sou.
Sara Lamy
22/1/2012
são casas desabitadas.
Eu gosto da desarrumação
típica de uma casa com vida
e a cada objecto que olhamos
fora do seu sítio
ou só no seu lugar habitual
quase podemos adivinhar
a vida de quem lá vive,
com os seus gostos e vícios
e os segredos
desarrumados
debaixo da colcha da cama
esperando imóveis
por quem os descubra.
E quem chega à minha casa
se olhar atentamente
sentirá decerto
o cheiro a café da manhã
com um misto a baunilha
da vela que arde na sala,
poesias dispersas
escritas por um pseudónimo
inventado por mim
numa mesa baixinha,
fotografias empoeiradas
que lembram boas amizades,
tons claros e pastel
entre peças arrojadas,
um chocolate aberto na mesa de jantar
ou não fosse vício meu,
as porcelanas, faianças e bordados
tecidos pelas mãos da família
em sedas e linhos egipcíos
fechados em baús antigos
e agora arejados
pelo fascínio da nova geração
que preserva a herança
bordada com carinho
pelas mães e avós
numa história
que hoje me enche a casa.
E se ainda acham que uma casa
pouco diz,
a minha decerto
conta tudo o que sou.
Sara Lamy
22/1/2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
África
Se soubesses
menino de pele escura
como gostava de saudar o sol
que nasce na tua terra
e ensinar-te as palavras
que abraçam a nossa pátria
que partilham culturas
mas não realidades.
E tu, menino,
que vives feliz e sorris
com a pobreza e fome
que destrói o teu país
trazes uma lição de vida
num olhar de criança crescida.
E ofereces tanto
sem ter nada para dar.
E quem te quer ajudar
pouco sabe
como construir sonhos
sob casas sem fundações,
em terra agreste,
de pessoas escuras e felizes
com o nada que têm
e o pouco que lhes dão.
Sara Lamy
21/1/2012
menino de pele escura
como gostava de saudar o sol
que nasce na tua terra
e ensinar-te as palavras
que abraçam a nossa pátria
que partilham culturas
mas não realidades.
E tu, menino,
que vives feliz e sorris
com a pobreza e fome
que destrói o teu país
trazes uma lição de vida
num olhar de criança crescida.
E ofereces tanto
sem ter nada para dar.
E quem te quer ajudar
pouco sabe
como construir sonhos
sob casas sem fundações,
em terra agreste,
de pessoas escuras e felizes
com o nada que têm
e o pouco que lhes dão.
Sara Lamy
21/1/2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Ingenuidade
Ingénua
serei decerto
porque perdi tempo
a acreditar
que existe sempre um retorno
da boa vontade.
E hoje
mais frustrada
do que feliz
sei certamente que viveste bem
com tudo o que te dei.
E aos ingénuos
que se façam sábios.
E aos amigos
que se tornem calculistas.
E aos solidários
que não sejam mártires da boa vontade.
Porque hoje eu lamento
ter sido escrava
de uma imperiosa Razão
que grita dentro de mim:
o meu coração.
Sara Lamy
19/1/2012
serei decerto
porque perdi tempo
a acreditar
que existe sempre um retorno
da boa vontade.
E hoje
mais frustrada
do que feliz
sei certamente que viveste bem
com tudo o que te dei.
E aos ingénuos
que se façam sábios.
E aos amigos
que se tornem calculistas.
E aos solidários
que não sejam mártires da boa vontade.
Porque hoje eu lamento
ter sido escrava
de uma imperiosa Razão
que grita dentro de mim:
o meu coração.
Sara Lamy
19/1/2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Bestas
E quando
já não cremos nos outros
e, outras vezes,
em nós mesmos,
compramos um cão
que é um fiel amigo
e sabemos, ao menos,
que esse não falhará,
mais não seja
por ter aprendido
a ser dominado por nós.
Não se choquem.
Afinal o que fazemos nós
todos os dias
quando tentamos dominar
ou somos
inconscientemente dominados?
Tratam-se pessoas
como animais
e domesticamos
a boa vontade de uns
e tentamos dominar
a perseverança de outros.
E os únicos que restam
são as bestas,
como eu,
que vivem de costas voltadas
para a sociedade
que se rói no seu interior
para nos ter
e corromper como os demais,
com uma sede incessante
de converter
os inconvertíveis.
Incondicionais para alguém
e inatingíveis para o resto.
Sara Lamy
8/1/2012
já não cremos nos outros
e, outras vezes,
em nós mesmos,
compramos um cão
que é um fiel amigo
e sabemos, ao menos,
que esse não falhará,
mais não seja
por ter aprendido
a ser dominado por nós.
Não se choquem.
Afinal o que fazemos nós
todos os dias
quando tentamos dominar
ou somos
inconscientemente dominados?
Tratam-se pessoas
como animais
e domesticamos
a boa vontade de uns
e tentamos dominar
a perseverança de outros.
E os únicos que restam
são as bestas,
como eu,
que vivem de costas voltadas
para a sociedade
que se rói no seu interior
para nos ter
e corromper como os demais,
com uma sede incessante
de converter
os inconvertíveis.
Incondicionais para alguém
e inatingíveis para o resto.
Sara Lamy
8/1/2012
A senhora que fala com o gato
A senhora que fala
com o gato
e ninguém lhe responde
não porque não a oiça
no seu triste lamuriar
mas apenas
porque ignoram a solidão
de quem já não sabe o que diz.
E assim passa os seus dias
de cabeça pendida
à janela
falando
com quem não entende o que diz
mas a faz sentir feliz
no seu irracional existir.
E eu que escuto
digo-me entristecida
mas nada fiz
por mudar a solidão não consentida
de quem já nada tem.
Apenas o seu gato
e palavras pendidas
à janela.
Sara Lamy
8/1/2012
com o gato
e ninguém lhe responde
não porque não a oiça
no seu triste lamuriar
mas apenas
porque ignoram a solidão
de quem já não sabe o que diz.
E assim passa os seus dias
de cabeça pendida
à janela
falando
com quem não entende o que diz
mas a faz sentir feliz
no seu irracional existir.
E eu que escuto
digo-me entristecida
mas nada fiz
por mudar a solidão não consentida
de quem já nada tem.
Apenas o seu gato
e palavras pendidas
à janela.
Sara Lamy
8/1/2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
A Norte
E enquanto caminhava
pelas ruas pintadas a negro
já era certeza em mim
que errei ao seguir-te.
E só na noite
o belo nasce,
numa cidade que no dia
é sombra.
E quando te avisto
assombrosamente feliz
nas margens do triste rio,
soube que esse dia
não contaria para a história.
E soube nesse dia
que certamente te perdia
nas margens de um rio
que nos atravessa
para morrer na Foz.
E quem sabe,
se um dia
nos iremos encontrar
onde o rio desagua no mar.
Sara Lamy 20/12/2011
pelas ruas pintadas a negro
já era certeza em mim
que errei ao seguir-te.
E só na noite
o belo nasce,
numa cidade que no dia
é sombra.
E quando te avisto
assombrosamente feliz
nas margens do triste rio,
soube que esse dia
não contaria para a história.
E soube nesse dia
que certamente te perdia
nas margens de um rio
que nos atravessa
para morrer na Foz.
E quem sabe,
se um dia
nos iremos encontrar
onde o rio desagua no mar.
Sara Lamy 20/12/2011
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