Caminhava eu distraidamente e feliz, após um dia de trabalho, e ao descer despreocupadamente a Fontes Pereira de Melo, dou comigo de olhos pregados na entrada do Público a pensar: "Como gostava de ser escritora, escrever tudo o que penso, sem pensar no que escrevo". Mas depois parei. E pensei.
Já escrevi para jornais, mas entre tantas regras, parâmetros, limites levados ao exagero em frases pré-defidas e caracteres contados, chego a achar um desprazer o facto de ter que escrever. Depois o pensamento fugiu-me para outro pensamento. Será que sou assim mesmo caracteristicamente desregrada, livre, sem amarras, e lembrei-me de uma amiga minha que me acusa constantemente da minha tendencial incapacidade para cumprir seja que regras for. E, por momentos, apavorei-me a pensar que eu que sempre me afirmei como uma conservadora inata, afinal, por vezes, mais parecia ter atitudes do típico inconformismo deliberado dos liberalistas. Não demorou muito para o pensamento saltar para outro, quem sabe talvez seja esta minha tendência de fazer de "advogada do Diabo", pele em que naturalmente me sinto bem, tão só porque insisto em apimentar um pouco mais esta minha forma de espontaneamente ser do "contra".
E acabei por pensar, sem me preocupar, que afinal não passo de uma escritora.
E acabei por pensar, sem me preocupar, que afinal não passo de uma escritora.
Sara Lamy (21/4/2012)

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