Profundidade
é coisa que falta nos dias que correm,
velho amigo,
é coisa que fica das nossas breves conversas
que eu gostaria de alongar.
E nem sabes como me entristece
saber que tudo são sombras,
vazias de sentir e de pensar,
que se constróiem à imagem das páginas de revistas
ou de programas de televisão
de fraca qualidade
que diverte uma massa de multidão empobrecida.
E onde deixaram o tempo
para privar
com aqueles que lhes dispensam o seu tempo?
Perderam no sofá
vazio daqueles que amam,
que queriam ser ouvidos
e não houve tempo.
Que queriam falar
e o tempo não chegou.
A nossa amizade
nunca se entregou
a tempos de decadência
ou a tendências vanguardistas.
Sempre vagueou
ao rumo
de conversas sábias e entardecidas
de crianças
que ambicionando ser crescidas
cresciam imensamente
no tempo e nas palavras
que souberam dispensar
um ao outro.
Numa época em que nos sentávamos
frente ao rio
numa qualquer manhã de inverno
e pensávamos no mundo entorpecido
que ainda dormitava perante nós.
Quando nos nossos dezasseis anos
tínhamos a lucidez
que hoje falta
com quem me cruzo.
E hoje recordo com saudade,
um tempo em que te ouvi
e tu me soubeste ouvir.
Dedicatória e Retribuição a um grande amigo,
André Tomé
Da tua sempre amiga,
Sara Lamy (2/10/2011)
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