É um pouco tardio o que venho comentar, mas também gostaria que não passasse em branco, por isso refiro-o ainda hoje.
Nas comemorações do dia 5 de Outubro podemos assistir a um enfático discurso presidencial em que mais do que mudar hábitos, o nosso Presidente quis mudar mentalidades. E a mim pouco me choca fazer paralelismos com discursos que caracterizaram o dirigente político da II República Portuguesa, António de Oliveira Salazar.
Cavaco Silva frisou que a actual crise constitui uma "oportunidade para que os portugueses abandonem hábitos instalados de despesa supérflua... e cultivem estilos de vida baseados na poupança e na contenção de gastos desmesurados".
O Presidente lamentou ainda os anos perdidos na "letargia do consumo fácil e na ilusão do despesismo público e privado".
Como é compreensível as gerações são reflexo das convicções e hábitos que marcam uma época, o Estado em que vivem, os dirigentes por quem são guiados, a cultura transmitida e implantada. E acima de tudo, os filhos são guiados pelos pais. Em épocas boas os pais não hesitam em mimar os filhos, em épocas más continuam a dar tudo o que podem e, por vezes, o que não convém. E, nessas alturas, só cá andam os nossos avós para nos contar histórias de outras épocas em que o Estado era rico, o dirigente era pobre e a lição de vida era dura!
Sara Lamy
7/10/2011

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