quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reflexão


Reflexão do dia:


A injúria e a ofensa são sim a forma mais bárbara de se viver em sociedade. Em sociedade vive-se com a diferença e acima de tudo aprende-se a respeitar a diferença. É o saber respeitar a diferença que faz de nós homens e mulheres civilizados. E é exactamente da falta de respeito e compreensão que nasce o ódio e a guerra, e isso sim é a maior barbárie e atentado a qualquer forma de humanismo. Saibam viver em sociedade e amem o próximo tal como ele é, esse sim é o maior espólio de uma nação evoluída.

                     
                                                                             Sara Lamy (23/8/2012)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Deus


Entre nós
há um imenso campo de batalha.
Devastado,
destruído.
E tudo o que se parte
não volta a ser igual.
E tudo o que é colado,
é fragmentado
e não é uno.
E tudo o que foi
não tem retorno.
E o que Deus quis
os homens não compreendem.
E os homens pouco sabem de amor.
Eu compreendi.
E ontem fui feliz.
Hoje sou triste.
E amanhã não sei o que serei.

                                                     Sara Lamy (22/8/2012)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pedralva

Há muito tempo que cá não vinha, mas quem escreve sabe e compreende. O que nos inspira são pessoas, são lugares. Posso não escrever durante dias, meses. Mas existir algo de novo, por acaso, que nos leve a sentir que as palavras fluem sem parar. Pedralva é assim, não pude deixar de sentir como tudo fluía sem parar. Quero lá voltar. Mas para já são estas as palavras que ficam.



Pedralva

Noutro tempo
e noutro existir
poderia imaginar-te assim
sorridente
bela
quase desenhada a aguarela
entre os montes
que cortam a brisa que sopra do mar.
É como se o tempo
 não tivesse passado por ti,
nem a civilização,
e eu encontrei-te
com casas caiadas de branco
com barras coloridas,
e és tão deslumbrante na tua simplicidade,
na simpatia da tua gente genuína,
no sorriso do rapaz moreno de bigode,
que não poderia imaginar-te mais perfeita,
sonho ideal pintado a cal.
E quando parti,
sinto que fiquei.

                                                                     Sara Lamy   29/7/2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cimeira Europeia

Hoje deixo apenas uma pequena reflexão:

Na Cimeira Europeia procura-se hoje uma harmonização de soluções para realidades com diferentes pesos e medidas. Acredito cada vez mais que o que se procura é agravar a dependência dos países europeus face à UE. O Mutualismo é uma contradição face a qualquer filosofia que tenha estado na base da União. E hoje é mutuada a soberania dos Estados. Com dependência coagida compram-se guerras e não amizades. Decorridos tantos anos, nota-se afinal que o Imperialismo nunca acabou, foi apenas encapotado, um sonho que finalmente hoje está a um passo de se concretizar.
                                                                              Sara Filipa Lamy Marcos

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entre o que sou e o que me acho

E ao contrário do que dizem
nós não somos aquilo que escolhemos
mas aquilo que nos tornam.
Somos um esboço perfeito
das pessoas que passam por nós.
Reprodução inacabada
daqueles que nos abandonam.
E apenas sombra
daqueles que nos escolhem.
Nós somos a transparência
mais de frustrações
do que de coisas felizes.
E entre isto e aquilo
encontro-me eu
entre o que sou e o que me acho.

                     Sara Lamy (1/6/2012)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lugar

Lisboa,
às vezes pareces-me grande,
grande de mais.
E falta-te a gente,
e falta-te o espaço
em que eu me reconheça
ao olhar-te.
E, às vezes, tudo me falta.
Pouco sei onde pertenço,
quem me pertence
e a quem me devo dar.
E é aí, Lisboa,
que te olho na solidão
e vejo que nem tu, nem eu,
saímos do mesmo lugar.

Sara Lamy 29/5/2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Divagando

Caminhava eu distraidamente e feliz, após um dia de trabalho, e ao descer despreocupadamente a Fontes Pereira de Melo, dou comigo de olhos pregados na entrada do Público a pensar: "Como gostava de ser escritora, escrever tudo o que penso, sem pensar no que escrevo". Mas depois parei. E pensei.
Já escrevi para jornais, mas entre tantas regras, parâmetros, limites levados ao exagero em frases pré-defidas e caracteres contados, chego a achar um desprazer o facto de ter que escrever. Depois o pensamento fugiu-me para outro pensamento. Será que sou assim mesmo caracteristicamente desregrada, livre, sem amarras, e lembrei-me de uma amiga minha que me acusa constantemente da minha tendencial incapacidade para cumprir seja que regras for. E, por momentos, apavorei-me a pensar que eu que sempre me afirmei como uma conservadora inata, afinal, por vezes, mais parecia ter atitudes do típico inconformismo deliberado dos liberalistas. Não demorou muito para o pensamento saltar para outro, quem sabe talvez seja esta minha tendência de fazer de "advogada do Diabo", pele em que naturalmente me sinto bem, tão só porque insisto em apimentar um pouco mais esta minha forma de espontaneamente ser do "contra".
E acabei por pensar, sem me preocupar, que afinal não passo de uma escritora.

                                                              Sara Lamy  (21/4/2012)