quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cimeira Europeia

Hoje deixo apenas uma pequena reflexão:

Na Cimeira Europeia procura-se hoje uma harmonização de soluções para realidades com diferentes pesos e medidas. Acredito cada vez mais que o que se procura é agravar a dependência dos países europeus face à UE. O Mutualismo é uma contradição face a qualquer filosofia que tenha estado na base da União. E hoje é mutuada a soberania dos Estados. Com dependência coagida compram-se guerras e não amizades. Decorridos tantos anos, nota-se afinal que o Imperialismo nunca acabou, foi apenas encapotado, um sonho que finalmente hoje está a um passo de se concretizar.
                                                                              Sara Filipa Lamy Marcos

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entre o que sou e o que me acho

E ao contrário do que dizem
nós não somos aquilo que escolhemos
mas aquilo que nos tornam.
Somos um esboço perfeito
das pessoas que passam por nós.
Reprodução inacabada
daqueles que nos abandonam.
E apenas sombra
daqueles que nos escolhem.
Nós somos a transparência
mais de frustrações
do que de coisas felizes.
E entre isto e aquilo
encontro-me eu
entre o que sou e o que me acho.

                     Sara Lamy (1/6/2012)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lugar

Lisboa,
às vezes pareces-me grande,
grande de mais.
E falta-te a gente,
e falta-te o espaço
em que eu me reconheça
ao olhar-te.
E, às vezes, tudo me falta.
Pouco sei onde pertenço,
quem me pertence
e a quem me devo dar.
E é aí, Lisboa,
que te olho na solidão
e vejo que nem tu, nem eu,
saímos do mesmo lugar.

Sara Lamy 29/5/2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Divagando

Caminhava eu distraidamente e feliz, após um dia de trabalho, e ao descer despreocupadamente a Fontes Pereira de Melo, dou comigo de olhos pregados na entrada do Público a pensar: "Como gostava de ser escritora, escrever tudo o que penso, sem pensar no que escrevo". Mas depois parei. E pensei.
Já escrevi para jornais, mas entre tantas regras, parâmetros, limites levados ao exagero em frases pré-defidas e caracteres contados, chego a achar um desprazer o facto de ter que escrever. Depois o pensamento fugiu-me para outro pensamento. Será que sou assim mesmo caracteristicamente desregrada, livre, sem amarras, e lembrei-me de uma amiga minha que me acusa constantemente da minha tendencial incapacidade para cumprir seja que regras for. E, por momentos, apavorei-me a pensar que eu que sempre me afirmei como uma conservadora inata, afinal, por vezes, mais parecia ter atitudes do típico inconformismo deliberado dos liberalistas. Não demorou muito para o pensamento saltar para outro, quem sabe talvez seja esta minha tendência de fazer de "advogada do Diabo", pele em que naturalmente me sinto bem, tão só porque insisto em apimentar um pouco mais esta minha forma de espontaneamente ser do "contra".
E acabei por pensar, sem me preocupar, que afinal não passo de uma escritora.

                                                              Sara Lamy  (21/4/2012)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fraternidade



Quem sabe talvez
se não é
esta simples condição de ser português
que nos oferece
este sentimento inato de partir
de descobrir
o outrora descoberto
e de sentir
que todo o oceano é pouco
para nos impedir
de trilhar esta viagem
que apenas começa além fronteiras.
Quem sabe
se não é
esta fraternidade
gerada noutras terras
e noutras raças
que nos faz ir
sem olhar para trás
sentindo que afinal
nunca saímos do nosso lugar.
E no fim
é sem relutância que acredito
que é
num sentimento comum
que os lugares se fazem comuns.

                                         Sara Lamy  3/4/2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pátria Minha


Pátria Entristecida
já não te reconheço
nos dias felizes
em que gente desalentada
se vai arrastando
sem saber sequer o que quer.
Pátria Querida
no tanto que prometeste
pouco tens para dar.
E hoje
pertenço a uma geração
que se desenrasca
e, por vezes,
se encosta,
e, às vezes,
até gosta
de se entreter
com o nada que tem pra fazer.
Pátria Dormente
de juventude despatriada
uns com tanto
e outros sem nada.
E o que me choca
não é o nada ter.
Mas a pobreza consentida
de uma nação empobrecida
que se deixou adormecer.
Adeus Pátria
até um dia
já não sou tua
nem tu és minha.

                                                Sara Lamy
                                                1/4/2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Partida

Antecipo a tua chegada
como quem antecipa o que não quer ouvir.
Ficamos no ponto sem regresso
em que nada foi dito
pouco foi feito
e ambos sabemos
que lacunas por preencher
não são respostas definitivas.
E pouco sei como encontrar satisfação
em rasgos de felicidade
sempre por concluir.
E hoje acordei a pensar
como já fui feliz
quando trcávamos olhares sem querer
na falsa inocência
de quem finge não entender
que perdíamos tempo
no muito tempo que enganávamos.
E hoje não nos resta tempo
pra terminar as frases
que ficaram por dizer.
Porque afinal há manhãs de inverno
mesmo em dias de primavera.

                                Sara Lamy
                                27/3/2012