Antecipo a tua chegada
como quem antecipa o que não quer ouvir.
Ficamos no ponto sem regresso
em que nada foi dito
pouco foi feito
e ambos sabemos
que lacunas por preencher
não são respostas definitivas.
E pouco sei como encontrar satisfação
em rasgos de felicidade
sempre por concluir.
E hoje acordei a pensar
como já fui feliz
quando trcávamos olhares sem querer
na falsa inocência
de quem finge não entender
que perdíamos tempo
no muito tempo que enganávamos.
E hoje não nos resta tempo
pra terminar as frases
que ficaram por dizer.
Porque afinal há manhãs de inverno
mesmo em dias de primavera.
Sara Lamy
27/3/2012
terça-feira, 27 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Espaço
O teu espaço é pouco para mim
e em mim sobra todo o espaço
que guardo para ti.
E todas as palavras são de mais
quando pouco resta que dizer,
quando não sabes ouvir,
e quando só te quero adormecer
no barulho todo que existe
entre ti e mim
que só se cala
depois da porta fechada do quarto
onde todas as palavras seriam poucas
para explicar
as nossas mãos entrelaçadas
no espaço que dizes não ter.
Sara Lamy
14/3/2012
e em mim sobra todo o espaço
que guardo para ti.
E todas as palavras são de mais
quando pouco resta que dizer,
quando não sabes ouvir,
e quando só te quero adormecer
no barulho todo que existe
entre ti e mim
que só se cala
depois da porta fechada do quarto
onde todas as palavras seriam poucas
para explicar
as nossas mãos entrelaçadas
no espaço que dizes não ter.
Sara Lamy
14/3/2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Inconformismo
Já fui simpatizante partidária, e até ferverosa apoiante, e quem me conhece bem sabe que a política me corria nas veias, e sempre defendi incansavelmente aquilo em que acredito, mas não vendo a "alma ao Diabo". Sinto-me altamente inconformada. Incomoda-me seriamente o Primeiro-Ministro deste país ter a displicência ou o mau grado de acusar os portugueses de pieguice. Começo a duvidar que tipo de patologia está a contagiar a classe política dirigente deste país, mas posso para já diagonosticar uma tendencial demência, porque existe claramente uma incapacidade ou distúrbio quanto à apreensão da realidade. E como dizia ontem a prof. Maria da Glória Garcia, em momentos de crise a única forma dos políticos vingarem é através da retórica. Mas, sem dúvida, essa é uma qualidade que não lhes assiste. Até porque o único senhor que ainda tem alguma é Ministro dos Negócios Estrangeiros, e o senhor que achava que a tinha está em França a tirar um curso. Nem só de retórica vive um país, mas a política sem retórica é um vazio de entusiasmo, por isso posso qualificar-me actualmente como apartidária, porque nem sequer é possível ter o prazer de não o ser.
Sara Lamy 9/2/2012
Sara Lamy 9/2/2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Direitos de Saque
Ontem falava com um colega meu da minha antiga e saudosa academia, a FDL, e dizia ele: "Em Setembro, faço as malas e vou para Macau. Achas que fico cá para ganhar 700 euros por mês?"
Macau, para quem não sabe, é uma região administrativa especial em que o seu financiamento é essencialmente produto dos impostos sobre o jogo, dado o elevado número de casinos que operam no seu território. Os impostos sobre o rendimento são vantajosos. E no final do ano, o Estado ainda arranja dinheiro para dar um "prémio" per capita, que apesar de não ser "chorudo", muitos "chorariam" por recebê-lo por cá. Em 2012, esse prémio corresponderá a uma quantia aproximada de 800 euros por pessoa. Parece ser uma quantia razoável para gozar umas férias confortáveis num qualquer país vizinho, como a Tailândia ou a Malásia.
Então e alguém sabe como se chamam os prémios per capita atribuídos em Portugal no final do ano? Direitos de saque, são prémios remuneratórios atribuídos pelos cidadãos a favor do Estado. Para mais informações, contacte o Ministério das Finanças onde poderão esclarecê-lo acerca das diversas modalidades de pagamento à sua disposição.
Sara Lamy 1/2/2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Casamento Franco-Alemão
Bastante na linha de um filme bem conhecido, está precisamente a ser realizado um novo filme intitulado "Duas Europas e um Casamento", e os protagonistas, figuras bastante conhecidas, Nicholas Sarkozy e Angela Merkel. Esta é uma verdadeira história de amor incondicional e que transpõe fronteiras, de levar o povo europeu às lágrimas. Ela já não se contém de tanto contentamento e anuncia que vai apoiá-lo incondicionalmente, ainda antes de ele se ter candidatado às Presidenciais. Ele sorri com o afecto incondicional da Segunda "Dama de Ferro". E assim vai sendo embalada a Europa, de olhos postos neste casamento em que os seus protagonistas estão de tal modo entusiasmados, que parecem ter esquecido que existe uma Europa lá fora, para além do seu "nó" que é plantado e regado com maior fervor a cada dia que passa.
Sara Lamy 29/1/2012
Sara Lamy 29/1/2012
Maria Antonieta
"Se o Povo não tem pão que coma brioches", este seria um bom slogan para colocar num cartaz de campanha por baixo da fotografia de caras bem conhecidas do nosso Governo Constitucional. Isto porque, a tecnocracia é boa enquanto não se converte em insensibilidade social e num pragmatismo cego elevado ao seu expoente máximo. Isto porque a austeridade é boa enquanto não se converte em miséria e num plano pensado a longo prazo. Porque afinal ainda não se percebeu que se "dinheiro gera dinheiro", então "crise gera crise". Estamos a entrar num estado de convulsão crónica e já todos se aperceberam, menos quem tem o poder de mudar essa tendência, o que é altamente perigoso. Pelos vistos, os manuais de História foram pouco úteis. E este poderia até ser um conto, algo burlesco, que começaria da seguinte forma: "Era uma vez, um país de pobrezinhos chamado Portugal, governado por um Sr. Primeiro-Ministro dos Impostos, por um Presidente da República com uma reforma humilde, e nesta bela história, que não terá certamente um final feliz, só falta a Maria Antonieta...", mas há já quem mande o Povo comer brioches. Resta esperar que sendo a história igual, não seja o destino semelhante. Mas não falta já certamente quem tenha vontade de mandar a "Maria Antonieta" de novo para a "guilhotina" e acabar com a (des)governança de "Luís XVI".
Sara Lamy 28/1/2011
Sara Lamy 28/1/2011
domingo, 22 de janeiro de 2012
A minha casa
Casas perfeitas
são casas desabitadas.
Eu gosto da desarrumação
típica de uma casa com vida
e a cada objecto que olhamos
fora do seu sítio
ou só no seu lugar habitual
quase podemos adivinhar
a vida de quem lá vive,
com os seus gostos e vícios
e os segredos
desarrumados
debaixo da colcha da cama
esperando imóveis
por quem os descubra.
E quem chega à minha casa
se olhar atentamente
sentirá decerto
o cheiro a café da manhã
com um misto a baunilha
da vela que arde na sala,
poesias dispersas
escritas por um pseudónimo
inventado por mim
numa mesa baixinha,
fotografias empoeiradas
que lembram boas amizades,
tons claros e pastel
entre peças arrojadas,
um chocolate aberto na mesa de jantar
ou não fosse vício meu,
as porcelanas, faianças e bordados
tecidos pelas mãos da família
em sedas e linhos egipcíos
fechados em baús antigos
e agora arejados
pelo fascínio da nova geração
que preserva a herança
bordada com carinho
pelas mães e avós
numa história
que hoje me enche a casa.
E se ainda acham que uma casa
pouco diz,
a minha decerto
conta tudo o que sou.
Sara Lamy
22/1/2012
são casas desabitadas.
Eu gosto da desarrumação
típica de uma casa com vida
e a cada objecto que olhamos
fora do seu sítio
ou só no seu lugar habitual
quase podemos adivinhar
a vida de quem lá vive,
com os seus gostos e vícios
e os segredos
desarrumados
debaixo da colcha da cama
esperando imóveis
por quem os descubra.
E quem chega à minha casa
se olhar atentamente
sentirá decerto
o cheiro a café da manhã
com um misto a baunilha
da vela que arde na sala,
poesias dispersas
escritas por um pseudónimo
inventado por mim
numa mesa baixinha,
fotografias empoeiradas
que lembram boas amizades,
tons claros e pastel
entre peças arrojadas,
um chocolate aberto na mesa de jantar
ou não fosse vício meu,
as porcelanas, faianças e bordados
tecidos pelas mãos da família
em sedas e linhos egipcíos
fechados em baús antigos
e agora arejados
pelo fascínio da nova geração
que preserva a herança
bordada com carinho
pelas mães e avós
numa história
que hoje me enche a casa.
E se ainda acham que uma casa
pouco diz,
a minha decerto
conta tudo o que sou.
Sara Lamy
22/1/2012
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