sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Liberdade

Há quem reclame liberdade,
e eu reclamo-te a ti.
É tão bom depender de alguém
e quem me dera saber que também dependes de mim.

Quando sais,
odeio a liberdade.
A liberdade que me deixas é tanta
que simplesmente me sinto presa,
reclusa de mim mesma,
em que a liberdade é tao infinita
como a minha dependência por ti.

Quando chegas,
amo a liberdade.
Sinto-me tao livre,
que nada mais posso exigir.

                                                                                
                                                                                                Carolina D’Ávila

Silêncio


Uma luz ténue
rasga o silêncio
no meu quarto desarrumado,
tão cheio de tanta coisa
que o sinto vazio.
O silêncio é tanto,
e tanto busco algo dito em surdina
que me dói a cabeça
de tanto ruído no seu interior.
Não vou explicar o porquê.
Ninguém precisa de saber.
Eu sei que tu sabes que faltas aqui.



                                                                 Carolina D’Ávila

Insensibilidade

A insensibilidade dos outros
choca-me.
Quando só eu sei
que tudo se desmorona cá dentro,
e ao passar na rua
apenas olham a figura que passa.
Mas ninguém vê
que há mais para além de si,
e há mais para além da avenida
que correm sem pensar.
E se olhassem como quem vê
perceberiam que na verdade,
a rua não é gente que passa,
mas gente que devia ficar.

                                                            Sara Lamy
                                                            28/9/2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pequenez

A conformação
só para os fracos basta
a passividade
nem sempre me convence.
E quando saio à rua
e vejo indiferença
e tantas vezes estupidez
amontoada nas esquinas
e nas esplanadas dos cafés,
dói-me a arrogância
de quem pouco sabe o que diz
e a ignorância
de quem nada sabe do que fala.
Hoje fala-se porque sim,
da pessoa que passa,
do país,
da política,
ou talvez só do tempo.
E quem fala sem saber,
só porque pensar cansa,
contribui,
inevitavelmente,
para o progresso da pequenez
traçada num mundo à sua medida.

                                                                        Sara Lamy
                                                                        28/9/2011

Apresentação

Hoje já não tenho o idealismo dos 18, mas encontrei a clarividência dos 24. Não acredito em tretas, e recuso-me a aceitar tudo o que me digam. Sou mais crítica do que passiva, e recuso-me a ser diferente de mim mesma. Não há ideias ou ideais perfeitos e nós devemos ser iguais a nós mesmos, encontrar a nossa posição no mundo e saber quem somos e fazer por ser diferentes. Como um ilustre professor de Filosofia do Direito diria, mal do dia em que num grupo encontremos opiniões convergentes, só se pode encontrar diversidade, mesmo em algo que seja uno, pois cada pessoa tem a sua própria exclusividade e é isso que se pretende, e não o contrário. Por isso, concordo com algumas coisas, mas sinto-me no dever de discordar de tudo o que me contraria. Se aos 18 vestia a “camisola”, com 24 prefiro sentir-me isenta de “títulos”ou “conotações”, mas recuso-me a estar isenta de opinar. Sempre neguei pessoas conformistas, que se bastam com pouco, e nunca gostei de quem critica, sem saber por que o faz.Não sou céptica, e não aceito dogmatismos, mas não há nada que me entusiasme mais do que ter espírito crítico.